O assunto não é novo. Em 2002, a mídia anunciou uma série de exercícios da indústria e seus atores da cadeia de suprimentos se unindo contra a falsificação. O setor automotivo estimava, naquela época, que 20% das peças automotivas comercializadas no mercado brasileiro eram de origem não autorizada. Os setores químico e farmacêutico preocupavam-se cada vez mais com o aumento de medicamentos falsificados e os impactos à saúde da população. Órgãos regulatórios, governos e demais stakeholders traçavam planos para combater a falsificação.
Mesmo com ações tomadas desde então, estas ainda foram insuficientes para o controle do processo. Segundo o relatório da Business Action to Stop Counterfeiting and Piracy (Bascaf), uma iniciativa criada nos Estados Unidos pela International Chamber of Commerce (ICC) divulgou em 2011 números assustadores: estima-se que em 2008 o volume de mercadorias falsificadas foi de US$ 455 a US$ 650 bilhões e neste ano de US$ 1,2 trilhão a US$ 1,77 trilhão. Estima-se que mais de 2,5 milhões de empregos foram perdidos no mundo por conta desse mercado.
Um dos pontos críticos que impulsiona diretamente essas ações (principalmente em momentos de crise como o que estamos vivendo atualmente) é a pressão por reduções de custo para reverter imediatamente resultados. Essas pressões, se seguidas de forma desestruturada e imediatista, geram ações desmedidas das organizações para otimizar resultados de curto prazo. O resultado é claro: compras de produtos de fornecedores não homologados, por vezes falsificados ou de origem duvidosa impactam diretamente na eficiência e produtividade da indústria, com retrabalhos, recalls, baixa qualidade, seguidos por impacto na imagem da organização, prejuízos e, consequentemente, impactos na cadeia de suprimentos, como rupturas no fornecimento, indisponibilidade de materiais, demanda desnivelada e até caótica. Além disso, os riscos para todos são altos, desde a perda de vendas, quebra de acordos de fornecimento até impactos graves na saúde (no caso de medicamentos, agrotóxicos, alimentos e bebidas falsificados) e no relacionamento com clientes e consumidores. Ações corajosas e sustentáveis devem ser tomadas neste momento e para tanto a reavaliação dos riscos da cadeia de fornecimento é primordial.
Enquanto as empresas não gerenciarem seus riscos de forma detalhada e minuciosa, poucos resultados sustentáveis serão obtidos. Insistir nas mesmas estratégias em gestão de operações, crise após crise, e esperar resultados diferentes é um erro. Deve-se avaliar os impactos a médio e longo prazos. Em outras palavras, ao invés de fragmentar a organização em busca de melhores resultados, o assunto deve ser colocado à mesa, abertamente, com colaboradores, clientes e fornecedores para definir ações claras. Existem tecnologias acessíveis a todas as empresas, desde grandes multinacionais a cooperativas de produtores.
Uma coisa é fato, executivos devem ser realistas e aqui cabe uma reflexão: o quanto introduzir produtos falsificados em minha produção ou na distribuição de mercadorias pode impactar na imagem da minha organização? O quanto isso impacta na minha carreira como executivo? O quanto produtos falsificados (imitando nossa marca) têm impactado em perda de vendas? O quanto isso impacta na sociedade?
Se você está disposto realmente a trazer resultados superiores para sua organização e para a sociedade, é hora de lutar contra a pirataria e falsificação. Faça da crise uma oportunidade!

